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A EDUCACÃO EM TEMPO DE PANDEMIA

A EDUCACÃO EM TEMPO DE PANDEMIA

A EDUCACÃO EM TEMPO DE PANDEMIA

                                                      Volmir Migliorini

Professor da Rede Municipal de Cerro Grande –RS.

Vive-se atualmente uma situação inesperada em ambos os hemisférios do globo terrestre, a pandemia provocada pelo novo coronavirus-Covid-19 situação essa que coloca em isolamento social as pessoas em suas casas e é dentro desse cenário que a educação brasileira aparece desprovida de estudos, debates entre professores, pais, alunos e governos de como proceder com as aulas diante desse novo cenário global.

Em países desenvolvidos onde a educação é prioridade e que é a partir dela que outros setores se desenvolvem com êxito, principalmente quando se trata de tecnologias, o modelo a distância se torna viável. Porém, no caso da educação brasileira onde se está muito longe dessa realidade e que esse modelo de estudo que até então era realidade apenas para alunos de universidades, agora chega aos estudantes de ensino primário, fundamental e médio e perpassa momentos difíceis.

Assim sendo, estados e municípios estão se adaptando de acordo com suas realidades e que cabe ressaltar são inúmeras. Seguindo orientações dos conselhos de educação para que os alunos não fiquem desconectados da escola e que foram introduzidas aulas a distancia através de plataformas on-line, e-mails, aplicativos, redes sociais e materiais impressos, visando manter o conteúdo e atividades educacionais.

No entanto, nesse novo cenário de ensino a distancia mais uma vez a educação brasileira, que enfrenta inúmeros problemas, precisa se reinventar. Possui novos desafios visto que, o acesso a internet é o primeiro deles, porque ao contrário do que os governos pensam e de fato sabem sobre a realidade dos alunos, essa não é uma realidade em todas as famílias brasileiras. Ainda que, nem só de falta de acesso à internet e computadores que estamos falando, pois muitos alunos até possuem computador em casa, e que devido ao isolamento não ser restrito aos alunos e sim familiares, os pais também estão nessa situação e em muitos casos precisando fazer uso desse computador e rede, priorizando para aquilo que garante a renda da família. Outra questão que se deve levar em consideração, de que uma grande porcentagem de alunos não possui o básico em termos de alimentação que em muitos casos, essa acontecia somente na escola. Ainda o fato de os pais trabalharem fora e não terem tempo de acompanhar essas atividades ou ainda aqueles que pouca instrução possui e não consegue explicar aos seus filhos como proceder na execução de atividades.

Por vez a realidade enfrentada por pais e alunos não é exclusiva desses, pois a situação descrita por parte das famílias quanto ao uso em certos casos de um único computador para realizar o trabalho a distancia e a realidade enfrentada por inúmeros professores brasileiros, os quais tem que realizar seu trabalho visando contemplar a todos os alunos, aqueles que possuem internet enviando o material e aqueles que não possuem, precisam ser impressos para serem retirados na escola e em muitos e muitos casos as direções têm que levar até as suas casas, haja vista as peculiaridades de cada segmento familiar.

Assim como as famílias e alunos estão tendo que se adaptar, não é diferente aos professores, devido ao fato que nem todos possuem domínio das tecnologias e nesse caso, vários profissionais estão diariamente compartilhando suas habilidades com seus colegas de profissão, tentando contribuir para essa adaptação. Cabe ressaltar ainda que nem todos os professores receberam formação para trabalhar à distancia, uma vez que não havia ocorrido fato assim na historia da educação brasileira.

Pode-se concluir a partir do exposto, que oferecer ensino de qualidade universalmente a todos os estudantes, conforme a lei prevê e diante da nossa realidade brasileira, é um desafio muito grande, temos um sistema educacional que apresenta muitas precariedades, seja ele estrutural e até mesmo de recursos financeiros e humanos. Mas a possibilidade de oferecer educação a distância, levando em consideração as desigualdades sociais e regionais do nosso pais é um desafio que estamos enfrentando e que os resultados dessas ações não podem serem medidos pelo menos por enquanto. Podemos nos perguntar, será que, para aprender, nossos educandos precisam estar presentes cinco dias por semana dentro de uma escola? Será que já não está mais que na hora de mudarmos um pouco nosso sistema educacional?  Quem garante que nossos educandos não possam aprender em casa ou em outros lugares, distantes de uma sala de aula, mas com orientações dos professores? Podemos até pensar que alguns ou muitos de nossos alunos estão distantes em termos de democratização do sinal de Internet, porque nem todos os usuários que acessam essa rede têm dinheiro suficiente para pagar. Será que realmente é complicado para crianças e adolescentes, juntos aos seus professores sanarem suas dificuldades no aprendizado? Podemos imaginar esses educandos sozinhos, tendo que organizar uma rotina de estudos diária em casa, se normalmente as atividades de tarefas para casa só são realizadas com muita cobrança dos pais? Ou podemos pensar diferente, isso também é um aprendizado, tanto para os alunos, como para os professores e porque não para os pais também.

Tudo isso parece ter gerado um certo esgotamento por parte dos alunos, pais e professores, que estão em adaptação a esse padrão de estudos. Professores focados em levar materiais aos seus alunos para não ficarem com o tempo ocioso e tendo a cada dia que se reorganizar para acertar na dosagem de atividades para que não vire um exagero, principalmente nas séries finais e médio onde são várias disciplinas e assim não sobrecarregar os alunos. De outro lado os pais não sabendo como proceder com seus filhos, uma vez que além disso, precisam trabalhar e os próprios alunos que, em muitos casos não possuem discernimento para se organizar e realizar as atividades.

É preciso nesse momento, contribuir para o aprendizado do aluno, levando em consideração que quantidade não é sinônimo de qualidade e priorizar a saúde do educando e de seus familiares para que ao retornarmos estejamos todos psicologicamente e fisicamente bem.

 

Referências Bibliográficas:

AGÊNCIA BRASIL. Unesco: Covid-19 deixa mais de 776 milhões de alunos fora da escola. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2020-03/unesco-covid-19-deixa-mais-de-776-milhoes-de-alunos-fora-da-escola

BRASIL. LDB – Leis de Diretrizes e Bases. Lei nº 9.394. 1996. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/lei9394_ldbn1.pdf

BRASIL. Medida provisória nº 934, de 1º de abril de 2020. Disponível em: http://www.in.gov.br/en/web/dou/-/medida-provisoria-n-934-de-1-de-abril-de-2020-250710591

INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Edital nº 25, de 30 de MARÇO de 2020 Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM 2020 Impresso Disponível em : http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/edital/2020/edital_enem2020_impresso.pdf

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Plano de Contingência Nacional para a Infecção Humana pelo novo Coronavírus Covid-19. Brasília, 2020. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2020/marco/25/Livreto-Plano-de-Contingencia-5-Corona2020-210×297-16mar.pdf

 

RUMOS DA EDUCAÇÃO APÓS O CIVID-19

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