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Gestão democrática direcionando a ação pedagógica

Edelar Carlos Gottardo

                                                        gottardocarlos@gmail.com

Professor da Rede Municipal de Cerro Grande-RS, licenciado em Pedagogia Anos Iniciais-UPF- Passo Fundo –RS. Pós-graduado em Psicopedagogia e Pós-graduado em Gestão Escolar naUFRGS – RS

 

Gestão democrática direcionando a ação pedagógica

Esta na natureza primitiva do ser humano sua participação social com os seus. Estudos sobre a evolução do ser humano mostram que a partir do momento em que passa a viver em tribo e após organiza-se em clã, o homem primitivo demonstra sua característica de ser sociável, chegando até as associações, empresas e aos partidos políticos de hoje. É aceitável afirmar que a realização plena do ser humano, está condicionada a sua participação social, dependendo desta maneira a sua inclusão em um grupo, oportunizando relações sociais que proporcionem seu desenvolvimento intelectual, cultural, físico e emocional. Dizendo isto reafirmo a importância da escola se organizar com os “diferentes talentos carregados por cada ser humano”.

A participação do ser humano nos mais diversos setores, de uma comunidade sejam eles de instituições públicas ou não, tem sido objeto de discussões e incentivada por teóricos e profissionais que atuam nas mais diversas áreas. Participar tem sido a palavra de ordem e o discurso de várias esferas de ação de nossa sociedade. Os setores da sociedade, sejam eles progressistas conservadores ou socialistas, estão a favor da participação da sociedade nos mais diferentes setores da administração pública. O que merece atenção é o fato de que muitos querem a participação com o interesse de um grupo de pessoas avalizarem as ações do administrador, o que nem sempre é bom para a sociedade, que muitas vezes é prejudicada por leis e ordens endossadas por seus pares. Diaz Bordenave (1994, p. 12) surpreender-se com o que está ocorrendo com a participação, pelo fato de que “[…] estão a favor dela tanto os setores progressistas que desejam uma democracia mais autêntica, como os setores tradicionalmente não muito favoráveis aos avanços das forças populares” Prossegue, ainda, o autor afirmando que “a razão, evidentemente, é que a participação oferece vantagens para ambos. Ela pode se implantar tanto com objetivos de liberação e igualdade como para a manutenção de uma situação de controle de muitos por alguns”. (BORDENAVE 1994, p. 12).

Os progressistas estimulam a participação popular, desejos de que o povo venha a ter consciência da importância de ter o poder nas mãos, não como forma de dominação, mas sim priorizando a libertação, o domínio do Estado, reivindicando direitos e melhorias nos serviços públicos. O setor democrático defende que é através da participação que o povo poderá ter o controle das autoridades. A participação da população funciona como medida preventiva e fiscalizadora dos serviços públicos e dificulta a corrupção fazendo com que o dinheiro proveniente dos impostos pagos pelo povo seja usado em seu beneficio e não manipulado e desviado favorecendo a negócios e obras ilícitas.

Nas instituições de ensino, é preciso organizar as reuniões de forma a possibilitar acolhida das ideias dos participantes em outra organização em que a pessoa participante como representante de um setor vai à reunião e a única ação sua é dizer sim ou não a prestação de contas ou levantar a mão aprovando uma ordem de serviço ou destino de recursos e sobras, se não tiver uns comes e bebes no final da reunião a possibilidade da participação deste individuo em outra reunião é bem menor do que no primeiro caso.

Na legislação educacional brasileira está garantido um espaço para a comunidade escolar participar, abrindo assim um processo de participação na educação. Nossa lei maior incorpora em seu texto, pela primeira vez, “a gestão democrática do ensino público…” (Art. 206, inciso VI). Cury (1997) lembra-nos de que os educadores tiveram, na constituição, seus clamores traduzidos em preceitos legais, no que se refere à democratização da sociedade e da escola pública brasileira. Tal princípio, a exemplo do que ocorreu na Constituição Federal, também está previsto em Constituições Estaduais e Leis Orgânicas Municipais (CATANI e OLIVEIRA, 1993).

Precisamos ter a consciência que, como sociedade é necessário pensar como tal, agir e decidir pelos interesses da maioria e não por indicação previa que poderá prejudicar as demandas e necessidade da comunidade escolar. O planejamento dos setores organizados da sociedade e do Estado é diferente. O interesse da sociedade na participação da comunidade em nossas escolas para que ela tome em suas mãos os destinos da educação e possa influenciar o trabalho desenvolvido na organização escolar.

A comunidade construirá a escola que necessita, quando agir pensando na coletividade. Uma escola que trabalhe e planeje pensando nos anseios e interesses da classe trabalhadora. A contribuição, maior da escola, deve estar firmada no proposito de construir um cidadão ativo, participativo, que tenha opinião própria, sendo critico de tal forma que venha a dar opiniões levando as decisões para o bem da comunidade escolar.

A Gestão Democrática quando busca a participação da comunidade escolar, procura solucionar dificuldades, criar formas de interagir na questão pedagógica, busca orientação no enfrentamento diário de seus problemas, quer parcerias para administrar e demandar recursos que venham de encontro das necessidades da escola. Diversas experiências mostram-nos que, participando a comunidade da gestão escolar, o trabalho realizado torna-se menos estafante para a equipe de direção e há maiores possibilidades de que se consiga mais organização e melhor qualidade nas atividades desenvolvidas. Para Abranches:

 

Os órgãos colegiados têm possibilitado a implementação de novas formas de gestão por meio de um modelo de administração coletiva, em que todos participam dos processos decisórios e do acompanhamento, execução e avaliação das ações nas unidades escolares, envolvendo as questões administrativas, financeiras e pedagógicas (ABRANCHES 2003, p. 54).

 

 

Nos dias de hoje o professor não pode ser incompleto, pensar que seu mundo de trabalho é apenas sala de aula devemos nos entrosar com todo o processo educativo que envolve a instituição de ensino, desde o planejamento, eventos promovidos pela escola, em fim ter um conhecimento e uma participação de toda a vida escolar.

 

O contexto em que trabalha o magistério tornou se complexo e diversificado. Hoje, a profissão já não é a transmissão de um conhecimento acadêmico ou a transformação do conhecimento comum do aluno em um acadêmico. “A profissão exerce outras funções: motivação luta contra a exclusão social, participação, animação de grupos, relações com estruturas sociais, com a comunidade…” (IBERNÓN, 2001, p. 14).

 

 

Como educadores temos presente as dificuldades que enfrentamos diariamente, a sala de aula que é nossa competência, e nos dias de hoje tem sido desafiador entrar numa sala que apresenta inúmeros desafios e possibilidades de trabalho, exigindo planejamento e conhecimento da realidade, o que muitas vezes só se consegue com a participação da comunidade, que contribui com informações e conhecimento.

Precisamos mobilizar o povo, atuar junto às comunidades, criar parcerias, sermos vistos e sentidos, trazer para a escola os anseios e necessidades daqueles que são os atendidos pela escola, tem direito a receber uma atenção e um trabalho de qualidade. Temos que atuar com nossos pares, tendo como objetivo garantir junto ao estado condições para estruturar as escolas tanto na parte física quanto pedagógica. O envolvimento com a comunidade escolar há que proporcionar o comprometimento, de todos na tarefa de instruir as futuras gerações a viver em sociedade, tendo condições de sobreviver com qualidade de vida, diante dos problemas modernos.

Para tornar mais claro de que participação estamos falando, é salutar que a definamos de imediato. Compreendemos aqui, como participação, “todas as formas e meios pelos quais os membros de uma organização, como indivíduo ou coletividade, podem influenciar os destinos dessa organização” (MOTTA, 1994, p. 200). O participante não pode ser um mero confirmante, ele precisa ter vez e voz, uma vez que a pessoa que participa de uma reunião onde sua opinião é considerada, aceita ou discutida, fica comprometida com o momento e tornará a participar, pois se torna um sujeito que age.

 

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. Lei Nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e Bases da educação nacional. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília, DF, v. 134, nº 248, 23 dez. 1996. Seção I, p. 27834-27841.

 

_______. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.

Referencial curricular nacional para a educação infantil/Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. — Brasília: MEC/SEF, 1998.

 

DEMO, P. Conhecimento moderno. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.

 

 

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários a prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

 

SMOLE, K.C.S. A Aprendizagem significativa: o lugar do conhecimento e da inteligência. Disponível:<http:www.maristas.org.ber/downloads/sisnot/2006/inteligenciasmultiplaskatia.doc >Acesso em 30.05.2007.

 

 

VYGOTSKI, L.S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológico superiores. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

 

 

_______.  A formação social da mente. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes 1988.

 

 

ZYLBERBERG, T. P. Possibilidades corporais como expressão da inteligência humana no processo ensino-aprendizagem. 2007. 280 f. Tese (Doutorado em Educação Física)-Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas. Campinas, 2007.

 

 

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