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Do convencional ao orgânico

Do convencional ao orgânico

Do convencional ao orgânico: tendências de uma agricultura sustentável.
Autor: Jéferson Varal Alexandre

Resgatar a história da agricultura, entender o processo agrícola regional ou mundial, compreender de modo geral como ocorreu à inserção de agricultura convencional na produção de alimentos é fundamental para uma mudança de paradigma na alimentação, para isso destacamos alguns conceitos fundamentais para a clareza do tema, neste caso defendido por BRUM (1999, p.44) sobre a Revolução Verde:
“é um programa com o objetivo aparente de contribuir para o aumento da produção, da produtividade agrícola no mundo através do desenvolvimento de experiências no mundo da genética para a criação e multiplicação de sementes adequadas as condições de diferentes solos e climas e resistente a doenças e pragas, bem como da descoberta e aplicação de técnicas agrícolas ou culturais.”
Também conhecido por pacote tecnológico que envolve a química e a biologia, neste sistema agrícola é notório o domínio econômico de grandes empresas multinacionais no subsidio da agricultura convencional, principalmente no pós Segunda Guerra Mundial, onde armas químicas de Guerra foram amplamente utilizadas como agroquímicos, originando segundo Jurandir Zamberlam, uma dependência do solo a adubos sintéticos e uma resistência das doenças e pragas agrícolas incorporados ao modelo atual.

O uso de agrotóxico tem se intensificado no sistema padronizado. O próprio Zamberlam socializa que na produção de alimento do modelo convencional a concentração de veneno no corpo humano é maior que a dos animais, além disso o DDT (Dicloro-Difenil-Tricloroetano) já tem intoxicado Pinguins e o leite materno das mulheres da Antártida onde se sabe não se pratica agricultura.
Os países em desenvolvimento ou mesmo no mercado Brasileiro tem aumentado uma tendência alimentar a cada ano. Trata-se dos produtos orgânicos, são consumidores que buscam uma ascensão a produtos saudáveis e naturais, o agricultor tem buscado certificações em suas propriedades através de auditorias, podendo ser de empresas pública ou privada devidamente credenciada, organizados a partir de associações de agricultores orgânicos, ficando a produção isenta de agrotóxicos, adubos sintéticos e sementes transgênicas.
Além da valorização econômica aos produtores neste sistema e possível libertar-se da “teia do capitalismo,” extrativista, mecanizado do atual modelo agrícola, valorizando desta forma a cultura regional, preservando a ética no sistema produtivo, buscando a coletividade no trabalho, não comprometendo sua saúde e a dos demais, bem como o respeito a biodiversidade do ambiente. Esses agricultores podem ser inclusos no sistema (FAITRADE) comércio justo, que é um dos pilares da sustentabilidade econômica e ecológica sendo exclusivo para exportação de alimentos.
Caminha-se na contramão do atual modelo de produção há um fluxo de consumo aos alimentos orgânicos, segundo o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) o mercado de orgânico movimentou US$ 97 Bilhões em 2017, sendo R$ 4 bilhões no Brasil, ocupando uma área de 1,1 milhões de hectares no território nacional atualmente, com um aumento de produção na área de 20% ao ano. Esse resultado se deve graças ao público consumidor que possui consciência ambiental e preocupados em não consumir alimentos contaminados por agroquímicos. Outro protagonista são os agricultores com conhecimento “crítico” na produção de alimento. Assim quem tem melhor poder aquisitivo, considerando que alimentos orgânicos têm valor diferenciado, passa a gratificar com reconhecimento e economicamente os produtores de alimentos orgânicos, nacionais ou estrangeiros, contribuindo para o aumento da demanda e aperfeiçoando da qualidade de vida do trabalhador agrícola e dos consumidores, seja no campo ou na cidade.

Referências Bibliográficas:
BRUM, perfil do setor agropecuário da região do Corede do Alto Uruguai.
Frederico Westphalen: Editora do URI,1999.
ZAMBERLAM,J. Agricultura ecológica, preservação do pequeno agricultor e do meio ambiente.2 ed. Cruz Alta-RS:Editora Vozes,2002.

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